MP recorre contra soltura de empresário Ivo Kos, preso por agredir a mulher em SP

  • 22/10/2026
(Foto: Reprodução)
Ivo Kos foi preso acusado de agredir a esposa, Giulia Melo Falcão Vel Kos Arquivo Pessoal Giulia Melo Falcão e Ivo Vel Koss GloboNews e Reprodução O Ministério Público de São Paulo recorreu nesta quinta-feira (22) contra a decisão da Justiça que revogou a prisão preventiva do empresário Ivo Vel Kos, preso em agosto após agredir a mulher, a cirurgiã-dentista Giulia Falcão, de 27 anos, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Ivo Vel Kos, de 48 anos, é um empresário conhecido no mercado financeiro. Ele foi preso na madrugada do dia 15 de agosto e se tornou réu por lesão corporal e ameaça. Na época, Giulia publicou um relato sobre as agressões nas redes sociais e fotos do rosto. Segundo ela, decidiu tornar o caso público porque, em episódios anteriores, o marido teria negado as agressões. "Eu vi a morte de perto. Resolvi mostrar para que minha palavra não deixasse de valer diante da dele. Ela já pratica agressão física contra mim desde o namoro e faz tortura psicológica. Meu marido tem uma imagem de bom moço, homem de honra. Eu já falei em público diversas vezes e, quando ele nega, ninguém acredita", disse. (veja mais abaixo). A Secretaria da Administração Penitenciária informou ao g1 que Ivo deixou a Penitenciária de Potim II na quarta-feira (21), após a Justiça revogar a prisão preventiva. Na decisão que determinou a soltura, a Justiça considerou a formalização do acordo de divórcio, a manifestação da vítima de que não se sentia mais ameaçada e não considerava necessária a manutenção da prisão, as condições pessoais favoráveis do acusado, a necessidade de tratamento médico e o período em que ele já estava preso, de mais de dois meses. A magistrada também avaliou que o aditamento da denúncia, com a inclusão de novos fatos e de um corréu, inviabilizaria a audiência de instrução que estava marcada. Em substituição à prisão, foram impostas medidas cautelares, entre elas monitoramento eletrônico, restrições de deslocamento e ampliação das medidas protetivas à vítima. O g1 pediu posicionamento à defesa de Ivo e aguarda retorno. O que diz o Ministério Público O recurso foi apresentado pelos promotores de Justiça Fabíola Sucasas, Mariana Pieragnoli e Pedro Alonso. Para o Ministério Público, a revogação da prisão, motivada, entre outros fatores, por um acordo entre o empresário e a vítima para formalizar o divórcio, não elimina o perigo de novas agressões. Os promotores afirmam que a decisão desconsiderou elementos que, segundo a acusação, indicam a permanência de risco à vítima e à instrução do processo. Além disso, ressaltam que o caso não se limita a lesões leves, mas envolve um episódio prolongado de agressões físicas, ameaças de morte, uso de arma de choque do tipo taser, emprego de um taco de beisebol e privação da liberdade da mulher. Eles argumentam também que a manifestação da vítima favorável à soltura não é suficiente para demonstrar que o risco desapareceu. Segundo o recurso, o histórico do relacionamento indica um padrão de violência, reconciliação e retirada de medidas protetivas, seguido por novos episódios de agressão. Vítima de violência doméstica diz que não consegue entrar na própria casa Empresário preso por agredir mulher é investigado por ameaçar e atacar homem em sinagoga Quem é Ivo Kos, o empresário da Faria Lima preso por agredir a mulher em SP O Ministério Público também contesta o entendimento de que o acordo de divórcio justificaria a liberdade do empresário. De acordo com a acusação, episódios anteriores de violência teriam ocorrido justamente em contextos de separação. O recurso menciona ainda que o Formulário Nacional de Avaliação de Risco aponta a ruptura do relacionamento como um possível fator de agravamento da violência. A dependência financeira da vítima, os contatos com familiares do acusado e as tentativas de acordo também são citados pelos promotores como circunstâncias que, na avaliação deles, deveriam ser consideradas com cautela na análise do risco. Saúde e tempo de prisão O recurso também contesta os argumentos relacionados à saúde de Ivo e ao período em que ele permaneceu preso. Segundo os promotores, pedidos semelhantes já haviam sido rejeitados por falta de comprovação de doença grave incompatível com o cárcere. A acusação afirma ainda que os 66 dias de prisão preventiva não configuram excesso de prazo, considerando a complexidade do caso após o aditamento da denúncia. Para o Ministério Público, é contraditório usar a ampliação da acusação, que incluiu um crime mais grave, como justificativa para a soltura. Outro ponto levantado no recurso diz respeito à situação da vítima após a libertação do empresário. Segundo o Ministério Público, ela informou que deixaria a residência do casal, enquanto a defesa pediu autorização para que Ivo voltasse ao imóvel. Para os promotores, a situação demonstra que as medidas cautelares impostas não garantiram a proteção pretendida e levaram a vítima a sair da própria casa. Além de pedir o restabelecimento imediato da prisão preventiva, o Ministério Público solicita o reforço das medidas cautelares. Entre as medidas requeridas estão a proibição de o empresário morar perto da vítima e das testemunhas, o monitoramento com alerta de aproximação, a apreensão de armas e objetos utilizados nas agressões, a proibição de contato com testemunhas e a participação obrigatória em programas de reeducação e acompanhamento psicossocial. Empresário da Faria Lima é preso acusado de espancar a esposa

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/10/22/mp-recorre-contra-soltura-de-empresario-ivo-kos-preso-por-agredir-a-mulher-em-sp.ghtml


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